"Por cima o Céu, por baixo a Terra, no meio os Ciganos"

(provérbio Cigano)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Curiosidades

  • O Povo Cigano rege-se por leis próprias, que não estão escritas, mas que todos os ciganos conhecem muito bem;

  • A familía cigana é quase sempre numerosa;

  • É frequente o agregado familiar ser constituido por mais do que uma geração - avós, pais, filhos, tios, primos;

  • Depois do casamento, o casal costuma ir viver com os pais do noivo;

  • Muitas vezes, são os pais a decidir com quem casam os filhos;

  • As meninas ciganas, quando começam a crescer, saem da escola porque não podem conviver com rapazes;

  • A maioria dos ciganos mais velhos não frequentou a escola;

  • Antigamente, existia uma lei que proibia os ciganos de ficar mais do que 24 horas no mesmo lugar;

  • Por terem sido um povo nomada, ainda hoje muitos ciganos têm o hábito de dobrar diariamente os cobertores e lençois da cama. Chama-se a este hábito "armarofato";

  • As pessoas mais velhas são muito respeitadas entre os ciganos. É aos mais velhos que são pedidos conselhos e orientações para resolver problemas. Chama-se "tio" ao homem mais velho e/ou mais respeitado da comunidade;

  • Quando o marido morre, a cigana viúva deve cortar o cabelo e vestir-se de negro para sempre;

  • Na familia cigana, quando morre alguém que habita na mesma casa, os familiares pintam-na de novo e mudam os moveis de sitio;

  • Os homens ciganos não podem recusar um compromisso de casamento;

  • Os ciganos aprendem a tocar, dançar e cantar muito cedo, havendo muitos ciganos músicos em todo o mundo.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Receita dos Pestins no Natal Cigano

Ingredientes:
Para um quilo de farinha:
2,5 dl de azeite
2,5 dl de água com erva doce e sal
75 gramas de banha
óleo para fritar
açucar e canela para enfeitar

Põe-se a farinha de trigo, sem fermento, num alguidar de barro. Faz-se um montinho com a farinha com uma abertura no meio, no qual se deita o sumo de laranja (para um quilo de farinha, põe-se sumo de três laranjas), uma dúzia de gemas de ovo, uma terça parte de um pacotinho de canela. Dá-se-lhe a volta com as mãos. Depois de bem dada a volta, começa-se a esfregar a farinha nas mãos, esfarelando-a entre as mãos. Faz-se isto durante uma hora. É a melhor maneira de a massa ficar tenrinha. Depois tapa-se com um paninho. Entretanto, coloca-se ao lume, em três tachos diferentes, 2,5 dl de azeite, 75 gramas de banha de porco e 2,5 dl de água com erva doce e sal. Quando estiver tudo a ferver, (deve-se deixar em lume brando para ficar sempre a ferver) deita-se um bocadinho de azeite e dá-se a volta; deita-se um bocadinho de água e dá-se a volta. Deixa-se amornar (para não queimar) começa-se a amassar; deita-se mais um bocadinho de banha, torna-se a amassar; deita-se mais um bocadinho de água , torna-se a amassar. Quando a massa já der para tender é porque já está boa. Tende-se com o rolo da massa e cortam-se os losangos. Depois põe-se o óleo a ferver e vai-se deitando lá para dentro os pestins. Quando estiverem bem fritinhos retiram-se e colocam-se num alguidar às camadas com açucar e canela.

Natal Cigano

O Natal da comunidade cigana é conhecido como sendo uma festa muito importante, cujas comemorações, semelhantes aos casamentos, podem chegar a prolongar-se entre 3 a 5 dias.


No Natal, os ciganos "põem a mesa" no chão, sobre uma toalha branca, como manda a sua tradição. Na consoada não se come carne. Estas só podem ser comidas a partir da meia noite de dia 24 de Dezembro. O último dia é o dia do rapa, dia em que se deve comer todos os restos de comida.


A mesa farta é um dos requisitos da época, pelo que a confecção dos diferentes pratos aprisionam as mulheres durante horas na cozinha. Para além do bacalhau cozido com couves e batatas, nao falta, igualmente, o bacalhau frito, a feijoada, conhecida por "Guizo" e as frutas.


No dia de Natal, as mesas enchem-se com cabrito assado e batata assada, carne guizada com batata cozida, grão cozido com massa, saladas de fruta e pudins.


Iguarias destinadas não só aos convidados, como também a todos os que quiserem aparecer. É habitual os ciganos andarem de casa em casa, um bocado em cada mesa, a pedirem a benção ao cigano mais velho.


Tratando-se de um povo tão alegre, a música e a dança são coisas que nunca podem faltar nestes festejos.

Hino dos Rom

Upré Rromá
Djelém djelém dromentsa
Maladilém baxtalé Rroméntsa
Ah, Rromalé, katar tumén avén
E tsahréntsa, baxtalé dromentsa
Ah, Rromalé
Ah, Chavalé
Vi man sasí ekh barí familija
Mudarrdá la Kali Legijá;
Avén mántsa as e lumnjátsa Rromá
Kaj phutajlé e rromané droméntsa
Aké vrjáma, ushtí Rromá akaná,
Amén xudása mishtó kaj kerása
Ah, Rromalé,
Ah, Chavalé.
Erguei-vos, Rom
Viajei ao longo de muitas estradas
E encontrei Rom felizes
Dizei-me de onde chegais
Com as vossas tendas
Por estas estradas do Destino?
Oh Rom
Oh jovem Rom
Também eu tinha uma grande familia,
Mas a Legião Negra exterminou-a;
Vinde comigo, Rom do mundo inteiro
Percorreremos novas estradas.
É hora, ergamo-nos,
Chegou o momento de agir.
Oh, Rom
Oh, Jovem Rom.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Bandeira


O Povo Cigano, diz-se ser o Guardião da Liberdade, tendo como lema: “O céu é o meu tecto; a Terra é a minha Pátria e a Liberdade a minha religião”, traduzindo um espírito, essencialmente, nómada e livre dos condicionamentos das pessoas sedentárias. Os Ciganos, apesar de viverem em acampamentos, possuem uma bandeira, um hino e um idioma próprio.

A bandeira foi instituída como símbolo internacional de todos os ciganos do mundo, no ano de 1971, pela International Gypsy Committee Organized, no primeiro World Romani Congress (primeiro Congresso Mundial Cigano), realizado em Londres. A bandeira é constituída por três elementos: a roda vermelha, o azul e o verde.

A roda vermelha no centro simboliza a vida, representa o caminho a percorrer e o já percorrido, a tradição como continuismo eterno; sobrepõe-se ao verde e ao azul, com os seus aros representando a força do fogo, da transformação e do movimento.

O azul representa os valores espirituais, a paz, a ligação do consciente com os mundos superiores significando a libertação e a liberdade.

O verde simboliza a Mãe Natureza, a Terra, o Mundo Orgânico, a força e a luz do crescimento vinculado com as matas, com os caminhos abertos pelos Ciganos; representa o sentimento de gratidão e respeito pela terra, o que ela oferece, de preservação da natureza. Simboliza a relação de respeito por tudo o que ela oferece, proporcionando a sobrevivência do Homem e a obrigação de ser respeitada pelo mesmo que dela retira suprimentos, devendo mantê-la defesa.

História e Origem




Devido à ausência de história escrita, a origem do povo cigano foi um mistério por um longo período de tempo, e é quase impossível definir a sua verdadeira origem. Assim, os ciganos não têm uma história documentada, pois, embora possuam uma língua oral própria, não têm uma língua escrita.



Foi só nos finais do séc. XVIII que os filólogos descobrem um parentesco entre a língua cigana e algumas línguas faladas na Índia. Desta forma, há mais de 200 anos, os antropólogos culturais criaram a hipótese de uma origem indiana baseada nesta evidência linguística, o que se vem a confirmar pelos dados genéticos. A partir desta análise, concluiu-se que o Povo Cigano começou o seu êxodo pela Europa a partir da Índia.



Pensa-se que este Povo origina de uma casta inferior do Noroeste da Índia que, por causas desconhecidas foram obrigados a abandonar o país no 1º milénio D.C. Tratava-se de uma vasta população, composta por diferentes castas e povos, trabalhadores e artesãos, que tinham em comum o facto de servirem uma casta de guerreiros, realizando todo o tipo de trabalhos para manter uma sociedade.



No espaço de um século chegam a todas as extremidades da Europa. A Portugal chegam em 1516. O Povo Cigano divide-se em três grupos na Europa:

· Manouches ou Sintés – instalados na França;
· Rom - instalados nos Balcãs e Europa Central;
· Kalé ou Gitanos (Ciganos) – instalados na Península Ibérica.

Ao contrário do que se possa pensar, o Povo Cigano é que foi perseguido, julgado e expulso ao longo do seu caminhar. Os anos 1555 e 1780 são marcados pelos ciganos por um período de perseguições e intolerância. Em diversos países foram cometidos actos de violência contra os ciganos: o clima de suspeitas e preconceitos percebe-se no florescimento de lendas e provérbios, tendendo em por os ciganos sob mau prisma, a ponto de se recorrer à Bíblia para os considerar descendentes de Caim, e portanto, malditos.



Depois de vagarem pelas terras do Oriente, os Ciganos invadiram o Ocidente e espalharam-se por todo o mundo. Essa foi uma das únicas invasões da Historia da Humanidade feita sem guerras, dor ou derramamento de sangue.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Um dia fomos Pássaros...

Conta uma velha lenda que antigamente os ciganos eram pássaros. Um dia, em pleno voo sobre a terra, viram um palácio dourado brilhando ao sol e desceram para ver melhor. O palácio era habitado por perus, galinhas e patos que, maravilhados pela beleza dos ciganos-pássaros, começaram a oferecer-lhes todo o tipo de jóias e guloseimas suplicando-lhes que não se fossem embora. Em breve todos os pássaros estavam cobertos de correntes de ouro dos pés à cabeça.

Apenas um pássaro resistiu à tentação destas riquezas incitando os outros a retomar o voo. Então, com o coração pesaroso, elevou-se no ar e atirou-se para as pedras desde o alto dos céus. Só nesse momento é que os ciganos-pássaros acordaram do seu atorpecimento e começaram a bater as asas. Mas o ouro puxava-os para baixo e não conseguiam sair do chão.

Os perus, as galinhas e os patos cantaram vitória. Manteriam para sempre aqueles belos pássaros encerrados em gaiolas de ouro. De repente, uma pequena pena vermelha deslizou para dentro do palácio, indo aterrar aos pés dos pássaros. O ouro caiu dos seus corpos mas as suas asas já não lhes obedeciam e não conseguiram levantar voo.

A pequena pena vermelha, suavemente levantada pelo vento, saiu do palácio e foi errar pelos caminhos poeirentos. Os ciganos seguiram-na e foram perdendo as suas penas uma por uma, transformando-se, assim, em humanos.

Com corpo de homem e alma de pássaro, esqueceram-se para sempre de como voar.

Somos...

Livres como os campos,

Misteriosos como o mar,

Andantes como os rios,

Secretos como os bosques,

Ligeiros como os ventos,

Andantes como o fogo,

Cautelosos como a noite,

Imprevisiveis como a estrada,

Leves como o ar,

Argutos como a raposa,

Sentimentais como a música,

Verdadeiros como as crianças,

Mas

INCOMPREENDIDOS como a verdade

Assim como nós,

CIGANOS
(Anny Reis)