quarta-feira, 21 de março de 2012
Aula Nómada PIEF Moura/Amareleja - Arroz de Funcho
A aula nómada organizada pelo PIEF de Moura/Amareleja incidiu sobre a preparação de uma receita tradicionalmente cigana - o Arroz de Funcho.
A receita foi preparada por duas encarregadas de educação de alunos do PIEF, que também ensinaram todos os passos para a cozinhar.
No final,num almoço de convivi, todos puderam provar o Arroz de Funcho, que superou as expectativas esperadas por aqueles que ainda não conheciam.
A receita fica em baixo descrita para aqueles que tambem queiram experimentar.
ARROZ DE FUNCHO
Ingredientes:
Alho
Cebola
Sal
Azeite
Polpa de tomate
Funcho
Arroz
Frango
Preparação:
Refoga-se o frango com o azeite, a cebola, o alho, o sal e a polpa de tomate. Em seguida, deita-se agua, deixa-se ferver um pouco e junta-se o funcho já partido. Depois de o frango estar cozido, deita-se o arroz. Serve-se ainda com o caldo.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
"Comunidades Ciganas, Cultura e Tradições"
No âmbito da Semana da Comunidade Educativa,no passado dia 24 de Janeiro teve lugar, na EBI de Amareleja, a tertúlia "Comunidades Ciganas, Cultura e Tradições" organizada pelo PIEF de Moura/Amareleja.
Este evento juntou alunos e técnicos do PIEF, representantes da EBI (Direcção, Delegados e Subdelegados de turma, Funcionários), da Câmara Municipal de Moura e da CPCJ, a equipa do Projecto Encontros e o Mediador da Câmara Municipal.
Para dar inicio à tertúlia foi apresentado o projecto "O Contador de Historias" (em articulação com o PIEF de Mourão): os alunos do PIEF em conjunto com a professora de Viver Português, contaram a história de um jovem cigano no seu percurso escolar e profissional e deram os seus testemunhos sobre a sua experiência pessoal na Escola e na convivência com outras culturas, assim como sobre a importância da Escola no seu percurso pessoal.
De seguida, foi passado o filme "Sou Cigano", onde uma criança aborda várias questões relacionadas com a cultura cigana, como o casamento e o luto. Questões estas que seriam depois aprofundadas numa apresentação em power point, onde foram também apresentados temas como a religião, a língua, a bandeira, as diferentes festividades, o papel da família, do trabalho e da musica na comunidade cigana. Todos estes temas foram acompanhados pelas intervenções dos presentes, permitindo debater as perspectivas das diferentes culturas.
A tertúlia finalizou com o visionamento do filme "Natal Cigano" realizado pelos alunos do PIEF de Moura/Amareleja com as famílias ciganas de Povoa de São Miguel.
SOU CIGANO from Tânia Duarte on Vimeo.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Comunidade Cigana e a Escola Pública
Ao longo de vários anos, Cada vez mais a Escola vai exigindo da criança cigana o desempenho de certas tarefas, que quando deparada com elas toma consciência de que os conhecimentos que possui e que são valorizados pelo seu grupo de pertença, não são considerados adequados, tendo um reduzido significado para a escola. Este facto pode ser considerado inibidos no desempenho dessas tarefas, consideradas ameaças à sua auto-estima. A não resolução destas tarefas de acordo com o êxito definido pela Escola é reflexo da vulnerabilização da criança a um meio que lhe é desconhecido, não funcionando segundo as regras que conhece.
Muitos dos argumentos usados por professores e técnicos de intervenção é que as crianças são preguiçosas e que mentem bastante. No entanto, parece ser negligenciado o facto da mentira, associada a este grupo étnico, ter sido construída como uma estratégia de sobrevivência, necessária para fazer face à situação de desvantagem e desigualdade social e cultural vivenciadas.
Estas crianças são consideradas escolarmente difíceis porque provocam "ruído", incomodam pela evidente dificuldade de adaptação e integração. É nos processos de organização do trabalho dentro da sala de aula que reside a maior incomodidade dos ciganos em relação à escola, motivando-os a criar uma serie de pretextos para abandonarem a sala a meio de uma aula ou faltarem às aulas.
o receio de ser inferiorizado pelo "outro" resulta num fechamento das relações de sociabilidade inter-étnicas e fechando-se mais no grupo de pertença. A percepção da sua falta de escolaridade é associada a uma "deficiência" que os inibe de se inserirem no mercado de trabalho em ocupações fora do âmbito tradicional cigano, castrando-lhes as perspectivas de futuro profissional. A incapacidade de permanecer de forma continuada na escola deriva da pertença a um sistema cultural tradicionalmente afastado do saber letrado.
Desde sempre as crianças ciganas crescem num ambiente familiar e comunitário onde a escola é pouco valorizada, marginal às restantes actividades do seu quotidiano. O ritmo de vida das crianças é pautado pelo ritmo de vida dos adultos, o que influencia a percepção espacial e temporal e, consequentemente, a estrutura de pensamento da criança, diferente da exigida pela Escola.
(fonte: "A Relação dos Ciganos com a Escola Pública", Casa-Nova, Maria José)
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Musicas CD CIDNET – NATAL
De todas as músicas sugeridas para o Cd de Natal do Cid, as abaixo referidas foram as mais votadas e aquelas que fizeram parte do mesmo! Podes ouvi-las aqui no nosso blogue!
1. Gun's and Roses
2. Rumba Portuguesa
3. Orlando: eu já namoro com uma menina de 15 anos (o video desta música não se encontra disponível na Internet, foi disponibilizada por um dos nossos utilizadores)
4. Cigana linda
5. Sweet child o'mine
.
6. Popota 2011
7. Chano: Sou rico
8. LMFAO : Sexy and I know it
9. Kuduro Cigano: toma, toma já!
10. G!PsY e Davi Maia: novo tema de kisomba
11. Dois Amores (o video desta música não se encontra disponível na Internet, foi disponibilizada por um dos nossos utilizadores)
12. Adele: set fire to the rain
13. Musica Cigana: Oh Meu Deus
14. Joaquin Sabina: mas de cien mentiras
15. Gipsy kings: el toro y la luna
16. Carlos cigano: nova rumba apsalon
17. Ciganos do 95 instrumental
18. el tren de los sueños - eres para mi
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Natal no Cid@net
Para comemorar o Natal, o Cid@net lançou, aos seus visitantes, o desafio de criar um Cd de Natal.A ideia não era criar um Cd com musicas de Natal, mas sim com as músicas preferidas de cada utilizador.O objectivo da iniciativa era juntar musicas de vários estilos musicais e, consequentemente, de diferentes culturas.
O resultado foi esse mesmo: o CD de Natal do Cid@net foi um CD criado com musicas propostas por alguns utilizadores, num trabalho onde se encontram duas culturas, a cigana e a não cigana.
As "Músicas do Cid@net" foi depois distribuído por todos os utilizadores, participantes e não participantes.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Ciganos sem rumo
quarta-feira, 22 de junho de 2011
O Fim de uma Aventura
Em Março de 2011, termina o curso de alfabetização de adultos que decorreu na Póvoa de São Miguel durante 5 meses. O projecto foi promovido pelo Agrupamento de Escolas de Amareleja, em articulação com a ADCMoura, e contou com o apoio da Junta de Freguesia da Póvoa de São Miguel, que disponibilizou uma sala e algum material.
Desde que o projecto Encontros está a trabalhar com as comunidades da Póvoa de São Miguel e do Sobral da Adiça, a necessidade mais gritante que se levantou foi na área da educação. Os adultos das comunidades ciganas rurais são na sua maioria analfabetos, e solicitam regularmente oferta formativa em competências literárias básicas. Em 2010, o agrupamento de escolas de Amareleja respondeu a este desafio, candidatando dois cursos de alfabetização de adultos junto da Direcção Regional de Educação do Alentejo - um para a comunidade da Póvoa de São Miguel e outro para a de Amareleja - e contactou uma professora experimentada na educação de adultos para dar as aulas.
A 15 de Outubro de 2010, começava então a aventura!
No primeiro dia de aulas na Póvoa de São Miguel, não chegaram as cadeiras para os alunos se sentarem, tão grande foi a afluência. Tiveram que desistir algumas pessoas, esperando que a iniciativa se repetisse muito breve. Ficaram então 15 alunos.
Muito entusiasmados, os alunos foram sempre assíduos e dedicados. Segundo a professora, fizeram grandes progressos, e quase todos atingiram as suas expectativas: adquirir noções de leitura e escrita, ou validar as competências de 4º ano do Ensino Básico, ou ainda dotar-se de ferramentas concretas para o seu quotidiano.
Aliciados pelo aumento do seu conhecimento, por terem feito progressos rápidos, por verem a professora satisfeita pelos seus resultados, os alunos solicitaram que a experiência fosse repetida.
No seu acompanhamento às comunidades, o projecto Encontros realizou um pequeno filme juntando os testemunhos de alguns dos alunos, de que passamos a citar alguns excertos:
“- A escola à noite é muito boa, abre a mente.
- Assim já posso ajudar os rapazes nos trabalhos de casa.
- Este aqui, até conseguia ler. Mas quando acabava, não era capaz de dizer nada do que tinha lido! Agora sim, depois de ler, pode explicar à gente tudo o que leu.
- Agora consigo ler as placas, o jornal, até posso tirar a carta e fazer a minha vida melhor.
Este tipo de intervenção é o que chamamos “medidas especiais de educação”. São projectos dirigidos a uma comunidade particular, com o objectivo de aumentar as suas competências e facilitar a sua integração na comunidade maioritária.
A implementação de iniciativas deste cariz é uma das prioridades das diferentes instituições que trabalham junto das comunidades ciganas.
O curso de alfabetização de adultos da Póvoa de São Miguel é um caso de sucesso, que demonstra que quando participadas pelos próprios destinatários, as medidas de integração social têm um impacto grande e positivo na comunidade.
Aproveitamos esta oportunidade para lembrar que existem no território mais comunidades ciganas nesta situação, a quem a medida de alfabetização de adultos se encontra totalmente ajustada.
Desde que o projecto Encontros está a trabalhar com as comunidades da Póvoa de São Miguel e do Sobral da Adiça, a necessidade mais gritante que se levantou foi na área da educação. Os adultos das comunidades ciganas rurais são na sua maioria analfabetos, e solicitam regularmente oferta formativa em competências literárias básicas. Em 2010, o agrupamento de escolas de Amareleja respondeu a este desafio, candidatando dois cursos de alfabetização de adultos junto da Direcção Regional de Educação do Alentejo - um para a comunidade da Póvoa de São Miguel e outro para a de Amareleja - e contactou uma professora experimentada na educação de adultos para dar as aulas.
A 15 de Outubro de 2010, começava então a aventura!
No primeiro dia de aulas na Póvoa de São Miguel, não chegaram as cadeiras para os alunos se sentarem, tão grande foi a afluência. Tiveram que desistir algumas pessoas, esperando que a iniciativa se repetisse muito breve. Ficaram então 15 alunos.
Muito entusiasmados, os alunos foram sempre assíduos e dedicados. Segundo a professora, fizeram grandes progressos, e quase todos atingiram as suas expectativas: adquirir noções de leitura e escrita, ou validar as competências de 4º ano do Ensino Básico, ou ainda dotar-se de ferramentas concretas para o seu quotidiano.
Aliciados pelo aumento do seu conhecimento, por terem feito progressos rápidos, por verem a professora satisfeita pelos seus resultados, os alunos solicitaram que a experiência fosse repetida.
No seu acompanhamento às comunidades, o projecto Encontros realizou um pequeno filme juntando os testemunhos de alguns dos alunos, de que passamos a citar alguns excertos:
“- A escola à noite é muito boa, abre a mente.
- Assim já posso ajudar os rapazes nos trabalhos de casa.
- Este aqui, até conseguia ler. Mas quando acabava, não era capaz de dizer nada do que tinha lido! Agora sim, depois de ler, pode explicar à gente tudo o que leu.
- Agora consigo ler as placas, o jornal, até posso tirar a carta e fazer a minha vida melhor.
Este tipo de intervenção é o que chamamos “medidas especiais de educação”. São projectos dirigidos a uma comunidade particular, com o objectivo de aumentar as suas competências e facilitar a sua integração na comunidade maioritária.
A implementação de iniciativas deste cariz é uma das prioridades das diferentes instituições que trabalham junto das comunidades ciganas.
O curso de alfabetização de adultos da Póvoa de São Miguel é um caso de sucesso, que demonstra que quando participadas pelos próprios destinatários, as medidas de integração social têm um impacto grande e positivo na comunidade.
Aproveitamos esta oportunidade para lembrar que existem no território mais comunidades ciganas nesta situação, a quem a medida de alfabetização de adultos se encontra totalmente ajustada.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Vamos ao Badoca...
No passado dia 05 de Abril, o projecto "Encontros" (ADC Moura) e a CPCJ de Moura levaram um grupo de jovens ciganos da EBi de Amareleja a conhecer o Badoca Parque.
Depois do ponto de encontro do grupo em frente à escola, a viagem iniciou-se num misto de sensações, entre a curiosidade, a ansiedade, a alegria e o receio na viagem (uma vez que para alguns era a primeira vez que andavam de autocarro). Durante a viagem, estes jovens conviveram uns com os outros e com os técnicos que os acompanharam, cantaram musicas da sua cultura, contaram anedotas e adivinhas.
A chegada e visita ao parque foram pautadas pela boa disposição e pelo convívio entre todo o grupo.
A visita iniciou-se com um safari pelo parque num "comboio", onde puderam ver zebras, girafas,tigres, camelos, antílopes, avestruzes, búfalos, entre muitos outros animais; e ficar a saber mais sobre estes animais graças à ajuda do guia que nos acompanhou e que fez as devidas explicações junto de cada animal. Muitos destes jovens nem acreditavam que estes animais existissem na realidade, por isso, a curiosidade e o espanto andaram sempre de mãos dadas nesta visita.
De seguida, almoçamos no parque de merendas e visitamos alguns animais na suas imediações.
Se a parte da manha foi divertida, a parte da tarde não ficou por menos. A maior atracção foi o raftling africano, onde os nossos jovens, dentro de um pequeno barco, deram asas à diversão na descida de um rio artificial.
A visita terminou na ilha dos primatas: duas ilhas onde habitam algumas famílias de macacos de diferentes espécies.
Esta foi, sem duvida, uma experiência muito enriquecedora quer para os jovens quer para os técnicos que os acompanharam, pela possibilidade de lhes dar a conhecer outras realidades e pelo óptimo convívio entre todos conseguido em toda a visita.
"O Bairro Cigano de Moura" na Revista Visão
No passado dia 20 de Abril, a Revista Visão publicou online um conjunto de fotografias intitulado "O Bairro Cigano de Moura", onde sao retratadas 40 familias que vivem no Largo da Feira, em Moura.
A Galeria de Imagens pode ser visitada no seguinte endereço online:
http://aeiou.visao.pt/o-bairro-cigano-de-moura=f599491
(in Revista Visao)
A Galeria de Imagens pode ser visitada no seguinte endereço online:
http://aeiou.visao.pt/o-bairro-cigano-de-moura=f599491
(in Revista Visao)
segunda-feira, 28 de março de 2011
PIEF nas Pias
Numa aula de Formação Vocacional da turma PIEF surgiu a pergunta: “Porque vem à escola?”. Com uma máquina de filmar, e a partir de uma brincadeira, fomos perguntando a alunos e professores, o que os trazia àquela sala.
Uns dizeram esperar aprender “a ler, a escrever, a tirar a carta”, outros ajudar os pais nas viagens lendo as placas na estrada, outros ainda referem apenas querer aprender. Os professores dizem ter encontrado nesta turma uma nova forma de dar aulas, de criar relação com os alunos e de se deixar motivar pelas suas aprendizagens.
A turma PIEF (Programa Integrado de Educação e Formação) de Pias, em funcionamento na Escola Básica Integrada c/ Jardim de Infância de Pias, integra-se no Programa para a Inclusão e Cidadania (PIEC) e tem como especificidade a grande flexibilidade e capacidade de adaptação a cada aluno. Nesta turma o ajuste é permanente. O trabalho começa na relação com cada aluno, e parte do conhecimento das suas capacidades e interesses para o ensino-aprendizagem.
E foi do conhecimento da realidade dos jovens, todos de etnia cigana, que partiu o trabalho desenvolvido. Através da pesquisa e estudo da cultura cigana foram realizados vários trabalhos. No sentido de melhor (dar a) conhecer as tradições da cultura foi realizado o filme “A comunidade cigana”, que documenta alguns aspectos essenciais da vida dos alunos e suas famílias, como a tradição do casamento, da família, a perspectiva sobre a escola, a gastronomia, entre outros. Foi ainda elaborado o livro “A história do povo cigano”, onde página a página se pode ler a história do povo, ilustrada por quem vê de dentro. Nós, adultos, começámos por aprender, para depois poder ensinar.
Ao longo do ano, um dos projectos que temos desenvolvido é a construção e narração de estórias. «Uma história sem “h” surge da necessidade de trabalhar a escrita e interpretação de textos com os alunos . “Quantos queres?”. Foi assim que começou a primeira estória; a partir de vários quantos-queres, fomos respondendo às questões “onde começa a tua história?”, “quem é o teu herói?”, e em três grupos surgiram estórias com heróis e vilões, acontecimentos perturba
dores, enredos e desenrolares variados. Outra estória surgiu em harmónica. Frase a frase os alunos foram construindo uma estória que se desenrolava a partir da última palavra da anterior, e no fim desenrolou-se o conto em que todos colaboraram. A dramatização da estória “a galinha verde”, colocando em palco os personagens, teve como objectivo treinar a dicção, a projecção de voz, a interpretação de uma personagem. E no fim, ainda demos cartas. De um baralho de cartas que revela os momentos-chave do conto, são dadas cartas que se abrem na mão em jeito de estória. E tem sido através de diferentes métodos que vamos construindo estórias; estórias que ganham voz no palco da nossa sala. Este projecto culmina numa sessão com a convidada Cristina Taquelim, contadora de estórias, que irá narrar uma estória sem “h”. Tal como este, poderiam ter sido identificados outros projectos que vão sendo desenvolvidos na turma PIEF. Por serem usualmente mais conhecidas as actividades extra-curriculares e “fora de grades”, optámos por divulgar um projecto de sala de aula que, adaptado a esta turma, promove o desenvolvimento de competências essenciais como a leitura e escrita.
No dia-a-dia do trabalho com estes jovens, cabe-nos investir e acreditar que a semente lançada produzirá fruto. Sabemos que nunca iremos ver a árvore completamente desenvolvida, mas vemos pequenos rebentos, que vão dando sentido ao trabalho realizado.
Acompanhe o nosso trabalho em ciga-nosempias.tumblr.com, e deixe os seus comentários e sugestões!
Autora: Madalena Santos, Técnica de Intervenção Local do PIEF de Pias
Uns dizeram esperar aprender “a ler, a escrever, a tirar a carta”, outros ajudar os pais nas viagens lendo as placas na estrada, outros ainda referem apenas querer aprender. Os professores dizem ter encontrado nesta turma uma nova forma de dar aulas, de criar relação com os alunos e de se deixar motivar pelas suas aprendizagens.
A turma PIEF (Programa Integrado de Educação e Formação) de Pias, em funcionamento na Escola Básica Integrada c/ Jardim de Infância de Pias, integra-se no Programa para a Inclusão e Cidadania (PIEC) e tem como especificidade a grande flexibilidade e capacidade de adaptação a cada aluno. Nesta turma o ajuste é permanente. O trabalho começa na relação com cada aluno, e parte do conhecimento das suas capacidades e interesses para o ensino-aprendizagem.
E foi do conhecimento da realidade dos jovens, todos de etnia cigana, que partiu o trabalho desenvolvido. Através da pesquisa e estudo da cultura cigana foram realizados vários trabalhos. No sentido de melhor (dar a) conhecer as tradições da cultura foi realizado o filme “A comunidade cigana”, que documenta alguns aspectos essenciais da vida dos alunos e suas famílias, como a tradição do casamento, da família, a perspectiva sobre a escola, a gastronomia, entre outros. Foi ainda elaborado o livro “A história do povo cigano”, onde página a página se pode ler a história do povo, ilustrada por quem vê de dentro. Nós, adultos, começámos por aprender, para depois poder ensinar.
Ao longo do ano, um dos projectos que temos desenvolvido é a construção e narração de estórias. «Uma história sem “h” surge da necessidade de trabalhar a escrita e interpretação de textos com os alunos . “Quantos queres?”. Foi assim que começou a primeira estória; a partir de vários quantos-queres, fomos respondendo às questões “onde começa a tua história?”, “quem é o teu herói?”, e em três grupos surgiram estórias com heróis e vilões, acontecimentos perturba
dores, enredos e desenrolares variados. Outra estória surgiu em harmónica. Frase a frase os alunos foram construindo uma estória que se desenrolava a partir da última palavra da anterior, e no fim desenrolou-se o conto em que todos colaboraram. A dramatização da estória “a galinha verde”, colocando em palco os personagens, teve como objectivo treinar a dicção, a projecção de voz, a interpretação de uma personagem. E no fim, ainda demos cartas. De um baralho de cartas que revela os momentos-chave do conto, são dadas cartas que se abrem na mão em jeito de estória. E tem sido através de diferentes métodos que vamos construindo estórias; estórias que ganham voz no palco da nossa sala. Este projecto culmina numa sessão com a convidada Cristina Taquelim, contadora de estórias, que irá narrar uma estória sem “h”. Tal como este, poderiam ter sido identificados outros projectos que vão sendo desenvolvidos na turma PIEF. Por serem usualmente mais conhecidas as actividades extra-curriculares e “fora de grades”, optámos por divulgar um projecto de sala de aula que, adaptado a esta turma, promove o desenvolvimento de competências essenciais como a leitura e escrita.
No dia-a-dia do trabalho com estes jovens, cabe-nos investir e acreditar que a semente lançada produzirá fruto. Sabemos que nunca iremos ver a árvore completamente desenvolvida, mas vemos pequenos rebentos, que vão dando sentido ao trabalho realizado.
Acompanhe o nosso trabalho em ciga-nosempias.tumblr.com, e deixe os seus comentários e sugestões!
Autora: Madalena Santos, Técnica de Intervenção Local do PIEF de Pias
PIEF no Sobral D'Adiça
O PIEF (Programa Integrado de Educação e Formação) é um projecto do PIEC (Programa de Inclusão e Cidadania) que se encontra a funcionar na Freguesia do Sobral da Adiça, com uma turma de 8 alunos pertencentes à comunidade cigana com idades compreendidas entre os 15 e 18 anos, que pretendem alcançar o 2º ciclo.
Com este jovens, a Equipa Técnico-Pedagógica procura promover a aquisição de conhecimentos e de hábitos de vida saudável e cidadania, nomeadamente ao nível da higiene oral, pessoal, puericultura. Também pretendemos estimular o desenvolvimento no domínio nas áreas vocacionais da costura e cozinha, visto terem sido áreas de interesse que vão ao encontro dos gostos e preocupações manifestados pelos jovens. Para além destas áreas, os alunos frequentam aulas de Português, Matemática, Homem e Ambiente, Língua Estrangeira, Expressão Artística e Educação Física, onde adquirem conhecimentos e competências integrados nestas disciplinas.
O programa de trabalho dos alunos é constituído por variadas temáticas, com inúmeras actividades realizadas, tais como teatro de sombras, dança e teatro de fantoches na festa de Natal, participação no concurso da Escola com um chapéu sobre o Hallowen; confecção de doce de abóbora, abertura de concurso para os PIEF do Baixo Alentejo sobre a construção de uma árvore de natal com pacotes de leite, visita aos Bombeiros Voluntários de Moura e Biblioteca Municipal de Moura, visita, com os alunos do PIEF de Pias, ao Lagar de Brinches, elaboração de uma bandeira para comemorar os 21 anos da Convenção dos Direitos da Criança. Para acções de sensibilização, o PIEF de Sobral pôde contar com a parceria de vários profissionais, como uma Enfermeira e Higienista Oral do Centro de Saúde de Moura, para ensinar cuidados básicos de higiene pessoal dos adultos e bebés e saúde oral. Os alunos receberam a visita da Psicóloga da Associação de Mulheres do Concelho de Moura e as Técnicas do GAAF (Gabinete de Apoio ao Aluno e Família) do Agrupamento de Escolas de Moura, que lhes transmitiram noções no domínio dos afectos, atitudes e comportamentos sociais.
Aquando da vista ao Posto da Guarda Nacional Republicana de Moura os alunos elaboraram o seguinte texto:
“No dia 13 de Janeiro, quinta-feira, a turma do 6º PIEF do Sobral da Adiça, juntamente com a técnica da ADCMoura, chegou ao Posto da G.N.R de Moura, onde antes era o antigo Convento de São Francisco. Eram dez horas e trinta minutos quando chegámos, fomos logo recebidos de forma acolhedora por dois militares da G.N.R.. Levaram-nos a conhecer várias salas; a sala de comunicação; sala de atendimento às vitimas e a sala onde vimos um vídeo sobre a Prevenção Rodoviária. Em seguida fomos conduzidos ao ginásio, onde os militares da G.N.R se preparam fisicamente para o bom exercício e desempenho das suas funções. Depois entrámos numa sala que tinha muitos troféus e armas antigas - era a sala do Capitão. Vimos também exposto o prémio de boas práticas, a nível Nacional, ganho pela G.N.R de Moura. No final tirámos algumas fotografias nas motas de todo-o-terreno utilizadas para vigilância dos espaços rurais. A turma do 6º PIEF agradece o transporte disponibilizado pela ADCMouramilitares da G.N.R de Moura”.
O balanço que a Equipa Técnico Pedagógica faz do 1º período de trabalho com estes jovens é positivo, porque os alunos tem sido assíduos, empenhados e esforçados. Os pais estão felizes com a participação dos seus filhos, reconhecendo o valor deste projecto.
Com tudo isto pretendemos o desenvolvimento integral dos alunos a nível psicológico, sócio-afectivo, físico, cultural e a sua integração na sociedade estimulando a consciência dos alunos e seus familiares para a importância da educação respeitando os seus princípios culturais.
Com este jovens, a Equipa Técnico-Pedagógica procura promover a aquisição de conhecimentos e de hábitos de vida saudável e cidadania, nomeadamente ao nível da higiene oral, pessoal, puericultura. Também pretendemos estimular o desenvolvimento no domínio nas áreas vocacionais da costura e cozinha, visto terem sido áreas de interesse que vão ao encontro dos gostos e preocupações manifestados pelos jovens. Para além destas áreas, os alunos frequentam aulas de Português, Matemática, Homem e Ambiente, Língua Estrangeira, Expressão Artística e Educação Física, onde adquirem conhecimentos e competências integrados nestas disciplinas.
O programa de trabalho dos alunos é constituído por variadas temáticas, com inúmeras actividades realizadas, tais como teatro de sombras, dança e teatro de fantoches na festa de Natal, participação no concurso da Escola com um chapéu sobre o Hallowen; confecção de doce de abóbora, abertura de concurso para os PIEF do Baixo Alentejo sobre a construção de uma árvore de natal com pacotes de leite, visita aos Bombeiros Voluntários de Moura e Biblioteca Municipal de Moura, visita, com os alunos do PIEF de Pias, ao Lagar de Brinches, elaboração de uma bandeira para comemorar os 21 anos da Convenção dos Direitos da Criança. Para acções de sensibilização, o PIEF de Sobral pôde contar com a parceria de vários profissionais, como uma Enfermeira e Higienista Oral do Centro de Saúde de Moura, para ensinar cuidados básicos de higiene pessoal dos adultos e bebés e saúde oral. Os alunos receberam a visita da Psicóloga da Associação de Mulheres do Concelho de Moura e as Técnicas do GAAF (Gabinete de Apoio ao Aluno e Família) do Agrupamento de Escolas de Moura, que lhes transmitiram noções no domínio dos afectos, atitudes e comportamentos sociais.
Aquando da vista ao Posto da Guarda Nacional Republicana de Moura os alunos elaboraram o seguinte texto:
“No dia 13 de Janeiro, quinta-feira, a turma do 6º PIEF do Sobral da Adiça, juntamente com a técnica da ADCMoura, chegou ao Posto da G.N.R de Moura, onde antes era o antigo Convento de São Francisco. Eram dez horas e trinta minutos quando chegámos, fomos logo recebidos de forma acolhedora por dois militares da G.N.R.. Levaram-nos a conhecer várias salas; a sala de comunicação; sala de atendimento às vitimas e a sala onde vimos um vídeo sobre a Prevenção Rodoviária. Em seguida fomos conduzidos ao ginásio, onde os militares da G.N.R se preparam fisicamente para o bom exercício e desempenho das suas funções. Depois entrámos numa sala que tinha muitos troféus e armas antigas - era a sala do Capitão. Vimos também exposto o prémio de boas práticas, a nível Nacional, ganho pela G.N.R de Moura. No final tirámos algumas fotografias nas motas de todo-o-terreno utilizadas para vigilância dos espaços rurais. A turma do 6º PIEF agradece o transporte disponibilizado pela ADCMouramilitares da G.N.R de Moura”.
O balanço que a Equipa Técnico Pedagógica faz do 1º período de trabalho com estes jovens é positivo, porque os alunos tem sido assíduos, empenhados e esforçados. Os pais estão felizes com a participação dos seus filhos, reconhecendo o valor deste projecto.
Com tudo isto pretendemos o desenvolvimento integral dos alunos a nível psicológico, sócio-afectivo, físico, cultural e a sua integração na sociedade estimulando a consciência dos alunos e seus familiares para a importância da educação respeitando os seus princípios culturais.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Encontro Temático "Comunidades Ciganas e Educação Formal"
No passado dia 26 de Janeiro realizou-se na Escola Básica Integrada de Amareleja (EBi Amareleja), o Encontro Temático "Comunidades Educativas e Educação Formal" no âmbito da Semana da Comunidade Educativa, promovido pela ADC Moura através do projecto "Encontros", em articulação com a Câmara Municipal de Moura e a EBi da Amareleja.
Numa abordagem da Cultura Cigana como influenciadora da Educação Formal das crianças ciganas, este encontro pretendem desmistificar ideias relacionadas com aspectos culturais desta comunidade e explicar como estes podem de, alguma forma, ter influência na assiduidade, aproveitamento e relacionamento entre estas crianças com colegas e professores.
Desta forma, foram abordadas uma serie de questões, tais como as razões para as dificuldades de integração escolar destas crianças, algumas mudanças já verificadas, as "leis" ciganas, o luto, o casamento, a educação, a religião, entre outras questões, que sendo clarificadas podem ajudar professores e técnicos a entender determinados comportamentos e reacções, algumas vezes originários de conflitos.
Estes encontros permitem sempre espaços abertos à discussão e debate das temáticas,assim como a partilha de experiências.
Numa abordagem da Cultura Cigana como influenciadora da Educação Formal das crianças ciganas, este encontro pretendem desmistificar ideias relacionadas com aspectos culturais desta comunidade e explicar como estes podem de, alguma forma, ter influência na assiduidade, aproveitamento e relacionamento entre estas crianças com colegas e professores.
Desta forma, foram abordadas uma serie de questões, tais como as razões para as dificuldades de integração escolar destas crianças, algumas mudanças já verificadas, as "leis" ciganas, o luto, o casamento, a educação, a religião, entre outras questões, que sendo clarificadas podem ajudar professores e técnicos a entender determinados comportamentos e reacções, algumas vezes originários de conflitos.
Estes encontros permitem sempre espaços abertos à discussão e debate das temáticas,assim como a partilha de experiências.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Joaquin Cortés: O Cigano que corre o mundo a Dançar"
Nos passados dia 06 e 07 de Dezembro, Joaquin Cortés apresentou o seu novo espectáculo intitulado "Calé", Cigano na língua Romani, com coreografia própria.
Durante o espectáculo o bailarino disse ao cumprimentar o público:
"Quando era pequeno queria voar, conhecer o mundo, conhecer várias culturas. Essa criança cresceu e concretizou o seu sonho. Voou e levou a cultura cigana a todo o mundo, porque eu sou cigano!"
Em reportagem à comunicação social, Joaquin Cortes voltou a falar das suas origens ciganas e do seu papel como embaixador deste povo:
"Sou um 'cigano universal'. Aquele que, no presente, mais representa esta cultura no mundo. Sou, desde 2008, embaixador do povo romani, designado pelo Parlamento Europeu. Sinto-me muito orgulhoso por ser um pequeno 'grão de areia' em 5 continentes."
Durante o espectáculo o bailarino disse ao cumprimentar o público:
"Quando era pequeno queria voar, conhecer o mundo, conhecer várias culturas. Essa criança cresceu e concretizou o seu sonho. Voou e levou a cultura cigana a todo o mundo, porque eu sou cigano!"
Em reportagem à comunicação social, Joaquin Cortes voltou a falar das suas origens ciganas e do seu papel como embaixador deste povo:
"Sou um 'cigano universal'. Aquele que, no presente, mais representa esta cultura no mundo. Sou, desde 2008, embaixador do povo romani, designado pelo Parlamento Europeu. Sinto-me muito orgulhoso por ser um pequeno 'grão de areia' em 5 continentes."
"Porque é que ficam os ciganos à porta?" DN, 27 Novembro 2010
No passado dia 27 de Novembro, o Diário de Noticias publicou em Grande Reportagem, de nome "Porque é que os Ciganos ficam à porta?", um conjunto de artigos e fotografias que abordam temáticas relevantes na realidade vivida pela comunidade cigana em Portugal, onde é referido caso do acampamento cigano do Sobral d'Adiça.
Nesta Grande Reportagem, a cultura, a habitação, a família, o trabalho, a educação e a condição nómada desta comunidade são os pontos fulcrais desenvolvidos ao longo de seis artigos, onde é dada voz a membros da comunidade cigana e a técnicos que com eles trabalham diariamente.
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1721554
Nesta Grande Reportagem, a cultura, a habitação, a família, o trabalho, a educação e a condição nómada desta comunidade são os pontos fulcrais desenvolvidos ao longo de seis artigos, onde é dada voz a membros da comunidade cigana e a técnicos que com eles trabalham diariamente.
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1721554
terça-feira, 9 de novembro de 2010
O Tempo dos Ciganos
No passado dia 06 de Novembro, a Sic passou uma reportagem intitulada "O Tempo dos Ciganos, onde retrata a realidade do povo cigano na Roménia, no ambito dos repatriamentos feitos pela França. É um excerto dessa reportagem que é aqui apresentado.
"É no mais oriental dos países latinos que vive a maior comunidade de ciganos da Europa. Perto de 10 por cento dos 22 milhões de romenos são ciganos.
Ioan Cutitaru foi o primeiro cigano a ser eleito para um cargo público na Roménia. Para o presidente da Câmara de Barbulesti, uma vila em que 95 por cento dos habitantes são ciganos, o desmantelamento dos acampamentos em França, teve apenas objectivos eleitorais.
A medida foi popular entre os franceses, com uma taxa de aprovação de mais de 60 por cento. Mas o presidente Sarkosy sabe que como cidadãos europeus, nada poderá impedir os ciganos romenos ou búlgaros de circular livremente pelo espaço comunitário e consequentemente de regressar a França.
Como quase todos os homens ciganos de Barbulesti, Roma Nicolae não estudou além do 8 ano. Casou-se e teve o primeiro filho antes de fazer 16 anos, continuou a viver em casa dos pais e nunca teve um emprego fixo.
Com 18 anos começou a passar temporadas em França com a mulher.
Como muitas mulheres ciganas de Barbulesti, Ramona Nicolae nunca foi à escola. Os avós, os pais e os quatro irmãos também não aprenderam a ler, nem a escrever. Nunca pediu esmola em Barbulesti, onde o dinheiro que juntou a mendigar nas ruas de cidades francesas a coloca um patamar acima de muitas outras famílias.
Gabriela Stan não sabe exactamente quantos anos tem, mas sabe que tinha 14 anos quando se casou e 15 quando teve o primeiro filho. Passou um mês e meio em França a mendigar, mas não consegue precisar exactamente há quantos meses decidiu partir, nem como, sendo tão pobre, conseguiu pagar a viagem. O marido ficou na Roménia, mas os filhos mais pequenos também viajaram. Foi de autocarro e regressou com dívidas."
Fonte: sic online
"É no mais oriental dos países latinos que vive a maior comunidade de ciganos da Europa. Perto de 10 por cento dos 22 milhões de romenos são ciganos.
Ioan Cutitaru foi o primeiro cigano a ser eleito para um cargo público na Roménia. Para o presidente da Câmara de Barbulesti, uma vila em que 95 por cento dos habitantes são ciganos, o desmantelamento dos acampamentos em França, teve apenas objectivos eleitorais.
A medida foi popular entre os franceses, com uma taxa de aprovação de mais de 60 por cento. Mas o presidente Sarkosy sabe que como cidadãos europeus, nada poderá impedir os ciganos romenos ou búlgaros de circular livremente pelo espaço comunitário e consequentemente de regressar a França.
Como quase todos os homens ciganos de Barbulesti, Roma Nicolae não estudou além do 8 ano. Casou-se e teve o primeiro filho antes de fazer 16 anos, continuou a viver em casa dos pais e nunca teve um emprego fixo.
Com 18 anos começou a passar temporadas em França com a mulher.
Como muitas mulheres ciganas de Barbulesti, Ramona Nicolae nunca foi à escola. Os avós, os pais e os quatro irmãos também não aprenderam a ler, nem a escrever. Nunca pediu esmola em Barbulesti, onde o dinheiro que juntou a mendigar nas ruas de cidades francesas a coloca um patamar acima de muitas outras famílias.
Gabriela Stan não sabe exactamente quantos anos tem, mas sabe que tinha 14 anos quando se casou e 15 quando teve o primeiro filho. Passou um mês e meio em França a mendigar, mas não consegue precisar exactamente há quantos meses decidiu partir, nem como, sendo tão pobre, conseguiu pagar a viagem. O marido ficou na Roménia, mas os filhos mais pequenos também viajaram. Foi de autocarro e regressou com dívidas."
Fonte: sic online
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Portugal acusado de violar os direitos dos ciganos
O Conselho da Europa aceitou uma queixa contra Portugal e abriu um processo por violação dos direitos da comunidade cigana. A queixa partiu de uma organização não governamental com sede na capital da Roménia (o “European Roma Rights Center”) que visitou as comunidades ciganas em Portugal entre 2005 e 2009. Além disso usa sobretudo os relatórios de uma ONG portuguesa, a Númena.
Portugal é acusado de falhar nas suas obrigações para com a sua comunidade cigana, 40 a 60 mil pessoas, que vivem maioritariamente em condições de pobreza e exclusão. Além de tratados europeus, o nosso país é acusado também de violar a própria Constituição que não só proíbe a discriminação racial, como garante o direito a habitação condigna. E é nestas duas alíneas que a queixa se fundamenta.
Diz, por outro lado, que a sociedade portuguesa continua a ver os ciganos como incapazes de se adaptarem às regras dominantes, defensores das suas próprias normas e, portanto, alguém que não se quer como vizinho.
De norte a sul do país dão-se inúmeros exemplos: ninguém lhes vende ou arrenda casa e só indirectamente acabam por entrar nos programas de realojamento social. Quando conseguem, o retrato de Norte a Sul do país é que as casas não tem em conta a dimensão das famílias, muitas são mal construídas e ficam por regra a quilómetros dos centros populacionais, longe de transportes, serviços de saúde e comércio, sobretudo não há integração, ou seja, são bairros de famílias exclusivamente ciganas ou então partilhados com outras minorias como africanos destacam-se casos como Bragança onde vivem sobre um antigo depósito de lixo, ou seja, onde acabaram cercados por um muro de uma fábrica vizinha.
Pior ainda são as condições nos acampamentos ciganos onde, por regra, faltam as infra-estruturas mais básicas como água, luz, saneamento ou recolha de lixo. Situações - diz o relatório - que perpetuam a situação de pobreza e marginalização dos ciganos portugueses. O governo central é acusado de não fazer cumprir a lei, o poder local de ceder à pressão dos não ciganos para afastarem o mais possível estas comunidades.
Em concreto, até se acusa o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Cultural de ineficácia e falta de independência. Desde o ano 2000 que existem multas contra a discriminação mas, das 190 queixas que recebeu até 2006, este organismo só aplicou duas multas.
A queixa contra Portugal foi aceite, apesar da argumentação do Governo e o processo está já em curso no Conselho da Europa.
Fonte: Renascença
Portugal é acusado de falhar nas suas obrigações para com a sua comunidade cigana, 40 a 60 mil pessoas, que vivem maioritariamente em condições de pobreza e exclusão. Além de tratados europeus, o nosso país é acusado também de violar a própria Constituição que não só proíbe a discriminação racial, como garante o direito a habitação condigna. E é nestas duas alíneas que a queixa se fundamenta.
Diz, por outro lado, que a sociedade portuguesa continua a ver os ciganos como incapazes de se adaptarem às regras dominantes, defensores das suas próprias normas e, portanto, alguém que não se quer como vizinho.
De norte a sul do país dão-se inúmeros exemplos: ninguém lhes vende ou arrenda casa e só indirectamente acabam por entrar nos programas de realojamento social. Quando conseguem, o retrato de Norte a Sul do país é que as casas não tem em conta a dimensão das famílias, muitas são mal construídas e ficam por regra a quilómetros dos centros populacionais, longe de transportes, serviços de saúde e comércio, sobretudo não há integração, ou seja, são bairros de famílias exclusivamente ciganas ou então partilhados com outras minorias como africanos destacam-se casos como Bragança onde vivem sobre um antigo depósito de lixo, ou seja, onde acabaram cercados por um muro de uma fábrica vizinha.
Pior ainda são as condições nos acampamentos ciganos onde, por regra, faltam as infra-estruturas mais básicas como água, luz, saneamento ou recolha de lixo. Situações - diz o relatório - que perpetuam a situação de pobreza e marginalização dos ciganos portugueses. O governo central é acusado de não fazer cumprir a lei, o poder local de ceder à pressão dos não ciganos para afastarem o mais possível estas comunidades.
Em concreto, até se acusa o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Cultural de ineficácia e falta de independência. Desde o ano 2000 que existem multas contra a discriminação mas, das 190 queixas que recebeu até 2006, este organismo só aplicou duas multas.
A queixa contra Portugal foi aceite, apesar da argumentação do Governo e o processo está já em curso no Conselho da Europa.
Fonte: Renascença
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
França começa a expulsar ciganos
Nicolas Sarkozy criticado por relacionar imigração e criminalidade no mesmo pacote de medidas.
Os primeiros ciganos romenos que viviam nos acampamentos ilegais que o Governo francês mandou desmantelar nas últimas semanas vão ser expulsos hoje, conforme anunciou o ministro do Interior, Brice Hortefeaux, apesar de uma chuva de críticas da esquerda, dos media, da ONU, da Comissão Europeia e das autoridades de Bucareste e de Sofia.
79 ciganos de origem romena vão partir no voo de hoje, 136 serão reconduzidos na sexta-feira e 160 no próximo dia 26, confirmou o secretário de Estado para a integração da minoria cigana da Roménia, Valentin Mocanu, ontem citado pela AFP. Paris indicou que pretende expulsar até final do mês 700 ciganos romenos e búlgaros que viviam de forma irregular nos 51 acampamentos desmantelados em território francês.
O número de ciganos em França está estimado em 15 mil, mas nem todos são legais. Apesar de membros da União Europeia, um espaço em que existe livre circulação, como ontem lembrou Bruxelas, romenos e búlgaros estão abrangidos por um acordo transitório que os impede de permanecer mais de três meses em território francês caso não tenham aí qualquer actividade. As regras para entrarem no mercado de trabalho são também rígidas. A França alega, por isso, que não está a cometer nenhuma ilegalidade.
"As medidas decididas pelas autoridades francesas estão em plena conformidade com as regras europeias e não constituem nenhum atentado à liberdade de circulação dos cidadãos da UE", disse, à AFP o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Valero, lembrando que o mais importante é a Comissão Europeia "apoiar os programas de reintegração" dos ciganos nos seus países de origem. E sublinhou a existência de uma directiva que permite a um Estado da UE "restringir a livre circulação por razões de ordem pública, de segurança ou de saúde pública".
Na origem do desmantelamento dos acampamentos e das expulsões "quase imediatas" estão os tumultos provocados pelos ciganos em Julho no centro de França, depois de um polícia ter matado um jovem cigano de 22 anos que não parou numa operação stop. Armados de machados e barras de ferro, os ciganos derrubaram árvores, semáforos, incendiaram carros, atacaram uma padaria e uma esquadra de polícia. Habitantes de alguns dos acampamentos mais antigos, como o de Hanul, que já teria uma década, estão a ser auxiliados por autarquias de esquerda, que classificam de "racismo de Estado" o plano securitário do Governo de Nicolas Sarkozy. O Presidente sugeriu mesmo retirar a nacionalidade francesa a pessoas de origem estrangeira que atentem contra as forças de segurança.
A ONU criticou a perigosa relação que está a ser feita em França entre imigração e criminalidade. "Esta política de humilhação dá uma visão degradante da acção pública. A França não é um país racista", escreveu o Le Monde. "Exprimo a minha inquietação em relação aos riscos de derrapagem populista e de reacções xenófobas num contexto de crise económica", declarou à rádio RFI Roménia o ministro dos Negócios Estrangeiros romeno, Teodor Baconschi.
Mas a verdade é que 79% dos franceses apoiam o desmantelamento dos acampamentos. E isso é o que importa a Sarkozy, candidato à reeleição em 2012. O ministro da Imigração francês, Eric Besson, tentou ontem pôr água na fervura, dizendo que este voo é normal e que este ano já é o 25.º. A França paga 300 euros aos adultos e 100 às crianças, como incentivo ao regresso. Muitos aceitam, mas depois tornam a voltar a França.
fonte: http://dn.sapo.pt
Os primeiros ciganos romenos que viviam nos acampamentos ilegais que o Governo francês mandou desmantelar nas últimas semanas vão ser expulsos hoje, conforme anunciou o ministro do Interior, Brice Hortefeaux, apesar de uma chuva de críticas da esquerda, dos media, da ONU, da Comissão Europeia e das autoridades de Bucareste e de Sofia.
79 ciganos de origem romena vão partir no voo de hoje, 136 serão reconduzidos na sexta-feira e 160 no próximo dia 26, confirmou o secretário de Estado para a integração da minoria cigana da Roménia, Valentin Mocanu, ontem citado pela AFP. Paris indicou que pretende expulsar até final do mês 700 ciganos romenos e búlgaros que viviam de forma irregular nos 51 acampamentos desmantelados em território francês.
O número de ciganos em França está estimado em 15 mil, mas nem todos são legais. Apesar de membros da União Europeia, um espaço em que existe livre circulação, como ontem lembrou Bruxelas, romenos e búlgaros estão abrangidos por um acordo transitório que os impede de permanecer mais de três meses em território francês caso não tenham aí qualquer actividade. As regras para entrarem no mercado de trabalho são também rígidas. A França alega, por isso, que não está a cometer nenhuma ilegalidade.
"As medidas decididas pelas autoridades francesas estão em plena conformidade com as regras europeias e não constituem nenhum atentado à liberdade de circulação dos cidadãos da UE", disse, à AFP o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Valero, lembrando que o mais importante é a Comissão Europeia "apoiar os programas de reintegração" dos ciganos nos seus países de origem. E sublinhou a existência de uma directiva que permite a um Estado da UE "restringir a livre circulação por razões de ordem pública, de segurança ou de saúde pública".
Na origem do desmantelamento dos acampamentos e das expulsões "quase imediatas" estão os tumultos provocados pelos ciganos em Julho no centro de França, depois de um polícia ter matado um jovem cigano de 22 anos que não parou numa operação stop. Armados de machados e barras de ferro, os ciganos derrubaram árvores, semáforos, incendiaram carros, atacaram uma padaria e uma esquadra de polícia. Habitantes de alguns dos acampamentos mais antigos, como o de Hanul, que já teria uma década, estão a ser auxiliados por autarquias de esquerda, que classificam de "racismo de Estado" o plano securitário do Governo de Nicolas Sarkozy. O Presidente sugeriu mesmo retirar a nacionalidade francesa a pessoas de origem estrangeira que atentem contra as forças de segurança.
A ONU criticou a perigosa relação que está a ser feita em França entre imigração e criminalidade. "Esta política de humilhação dá uma visão degradante da acção pública. A França não é um país racista", escreveu o Le Monde. "Exprimo a minha inquietação em relação aos riscos de derrapagem populista e de reacções xenófobas num contexto de crise económica", declarou à rádio RFI Roménia o ministro dos Negócios Estrangeiros romeno, Teodor Baconschi.
Mas a verdade é que 79% dos franceses apoiam o desmantelamento dos acampamentos. E isso é o que importa a Sarkozy, candidato à reeleição em 2012. O ministro da Imigração francês, Eric Besson, tentou ontem pôr água na fervura, dizendo que este voo é normal e que este ano já é o 25.º. A França paga 300 euros aos adultos e 100 às crianças, como incentivo ao regresso. Muitos aceitam, mas depois tornam a voltar a França.
fonte: http://dn.sapo.pt
quarta-feira, 23 de junho de 2010
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